Peço desculpas por não enviar o gabarito das atividades postadas anteriormente, mas tentarei disponibilizar sugestões de respostas para as próximas postagens. Este está sendo um ano de muito trabalho e pouco tempo. Conto com a compreensão de todos. 28/11/16.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Lendas africanas


O menino grávido

Em um tempo muito distante, nas terras do povo xhosa, havia um homem e uma mulher que se amavam apaixonadamente. No início da primavera, eles se casaram e deram uma linda e colorida festa que agitou a comunidade.
Depois de alguns anos os dois desejavam muito ter um filho ou uma filha que os alegrasse. Mas a criança não chegava. Então eles decidiram ir ao encontro de um famoso Sangoma, que morava na floresta.
─ Pai Sangoma, você pode nos ajudar a ter um filho?
O velho e sábio Sangoma era conhecedor dos mistérios das plantas de toda a floresta e da cira de muitas doenças de corpo e de espírito.
─ Sim, eu posso ajudá-los, mas desde que vocês façam tudo como eu explicar.
Eles concordaram imediatamente e prestaram muita atenção nas palavras do sábio.
─ Vou entregar a vocês quatro raízes de plantas sagradas que vivem nesta floresta. Quando chegarem em casa, vocês devem separá-las em dois montes. O primeiro monte deverá ser aquecido na fogueira, o segundo, colocado com água em uma garrafa. A mulher deverá mascar o primeiro monte de raízes e, no dia seguinte, beber água das raízes do segundo monte.
E o sábio entregou as quatro raízes embrulhadas em um pequeno pedaço de pano, dizendo:
─Em troca, quero que vocês me deem um boi logo depois do nascimento da criança.
O casal concordou e agradeceu muito ao Sangoma. Partiram imediatamente para sua aldeia. Chegando lá, fizeram tudo como ele havia explicado. A mulher ficou grávida. Nove meses depois nasceu um lindo garotinho de olhos grandes e choro forte. Os pais ficaram tão felizes e envolvidos com os novos afazeres, que esqueceram completamente da promessa de enviar o boi para o sábio da floresta.
O menino foi crescendo. Quando estava chegando a adolescência, seus pais decidiram que era hora de ter mais um filho. Resolveram, então, voltar à floresta e pedir mais raízes ao Sangoma.
─ Como vocês chegam aqui e me pedem mais raízes sem ter entregado o boi que eu pedi? Vocês tiveram o que procuravam, mas não cumpriram o acordo.
O pai e a mãe ficaram envergonhados e pediram muitas desculpas para o sábio. Como eles puderam esquecer?
─ É muito fácil não lembrar daqueles que nos ajudaram depois que conseguimos o que queremos ─ falou o sábio, bravo.
Eles pediram desculpas mais uma vez e, cabisbaixos, dirigiram-se à porta da casa do Sangoma para partirem rumo às suas terras.
─ Esperem! Como vejo que não fizeram por mal e se envergonharam do seu erro eu darei a vocês as raízes depois que entregarem o boi que me devem.
O casal agradeceu e voltou para a sua aldeia. Ao chegarem, imediatamnete pediram a um amigo que levasse o boi ao velho Sangoma. O amigo voltou com o recado para que fossem buscar as raízes no dia seguinte.
─ Amanhã temos compromissos aqui na aldeia. Não poderemos nos afastar ─ disse o pai, preocupado.
─ E se enviarmos nosso filho para buscar as raízes? Ele já tem 12 anos e o caminho até lá é muito fácil.
O pai concordou com a proposta da mãe. Então, eles chamaram o menino:
─ Você acha que pode buscar as raízes na casa do Sangoma?
─ Claro, pai! ─ e o garoto pulou de alegria. ─ Já não sou mais criança. Posso ir e voltar bem rápido!
E assim foi. O garoto arrumou sua pequena bolsa e partiu para a casa do Sangoma. Lá, explicou para o velho sábio que seus pais o haviam enviado para buscar a encomenda. O Sangoma entregoulhe as quatro raízes cobertas por um pano e pediu que o menino alertasse os pais para que fossem muito cuidadosos na preparação delas.
─ Não se preocupe. Tudo vai dar certo! ─ e o menino agradecu ao Sangoma e partiu para casa.
Quando estava no meio do caminho, a curiosidade foi tão grande que ele não aguentou. Abriu o pano e olhou atentamente as quatro raízes.
─ Acho que não vai ter problema se eu experimentar só um pedacinho!
E mordeu o pedaço da primeira raiz, muito doce e suculenta. O gosto era tão bom que ele resolveu experimentar mais um pedaço. E depois outro e mais outro. E assim foi, até que não sobrou mais nada das duas raízes doces. Então experimentou as outras duas, mas elas eram tão amargas que ele as cuspiu no chão.
Foi quando ele percebeu o que fizera.
─ E agora, o que vou falar? Só sobraram duas raízes!
Com medo de que sua mãe e seu pai ficassem muito bravos, o menino resolveu não contar a verdade quando chegasse em casa. “ Tomara que essas duas raízes que sobraram sejam suficientes para minha mãe engravidar “ , pensou o garoto.
Logo que o menino chegou em casa, a mãe pediu para ver as raízes:
─ Que estranho, da outra vez eram quatro raízes e agora são só duas... O Sangoma explicou alguma coisa para você?
─ Não, mãe, ele não disse nada. Só falou que a senhora deve aquecer esta raiz na fogueira e depois mascá-la. Ea outra deve ser colocada dentro de uma garrafa cheia de água. No dia seguinte, a senhora deve beber a água.
A mãe e o pai não desconfiaram de nada e fizeram tudo como o menino explicou. Mesmo assim passaram-se os meses e a mãe não engravidava.
Mas o menino... Ele começoua engordar, a engordar, e os seus peitos passaram a crescer, a crescer, ficando cada vez mais doloridos. Sua barriga foi ficando grande e ele sentia como se tivesse alguém morando lá dentro. No quarto mês, o garoto percebeu que esse “ alguém ” começou a se mexer muito.
“ Acho qe estou grávido ” , constatou, desesperado. “ O que eu faço agora? Como vou dizer aos meus pais? E os meus amigos? Todos vão rir de mim! ”
Ele tinha tanta vergonha, quee não contou seu segredo para ninguém. Tinha vergonha de ter mentido para seus pais. Sua família não desconfiou, porque alguns primos do menino haviam ficado muito magros ou gordos quando entraram na adolescência. “ Coisas de quem está crescendo ” , dizia o avô.
Um dia, quando ajudava seu pai a cuidar do gado, ele começou a sentir uma forte dor na barriga, que ia e voltava com uma intensidade crescente.
─ Meu filho, você está bem? ─ percebeu o pai.
─ Pai, preciso ir para casa, deitar um pouco ─ reclamou o menino. ─ Sindo dores fortes na cabeça e na barriga.
─ Vá e peça para sua mãe um chá bem forte, daquele que ela sabe fazer tão bem.
E ele foi embora, mas não para sua casa. Foi para o meio da floresta. Lá, ele cavou um buraco, encheu de folhas e se deitou dentro, como se fosse um ninho. As dores na barriga foram aumentando e, de repente, um choro auto de bebê foi ouvido em toda a mata. Havia nascido uma linda e gorducha garotinha!
─ O que eu faço agora com você? ─ falou desesperado o rapaz, olhando a bebê. ─ O que será de mim? E de você?
A bebê chorava alto e sem parar, mas, quando achou o bico do peito do menino, começou a mamar com muita fome. Depois de mamar bastante, dormiu um sono profundo.
O menino, então, saiu correndo para casa, com medo de que seus pais tivessem dado falta dele. Quando chegou, seu pai já estava na porta para sair à sua procura:
─ Onde se meteu? Você nos deixou muito preocupados!
O menino mentiu e disse que havia decidido descansar embaixo de uma árvore e que acabara caindo em um sono profundo.
─ Mas e a dor que você estava sentindo? ─ perguntou a mãe, assustada.
─ Passou. Acho que foi uma fruta verde que comi ontem ─respondeu o menino.
E todos foram jantar. O menino comeu como se susa barriga fosse um buraco sem fundo. Os pais estranharam, mas depois acharam que era coisa de adolescente, de gente que está crescendo muito rápido.
À noite depois que todos haviam se deitado, o menino se levantou e correu até a floresta. Tinha de ver a bebê. Ela estava chorando e logo parou quando começou a mamar no peito dele. Depois, a bebê caiu no sono.
“ Ela é tão linda “ , pensou ele, enquanto a observava dormir. Pela primeira vez, sentiu que ela era sua filha. Dormiu abraçado a ela e, no começo da manhã, voltou para casa e se deitou na cama antes que sua mãe chegasse para despertá-lo.
Ao longo do dia, enquanto trabalhava com seu pai, cuidando do gado da família, ele sempre inventa um motivo para correr até a floresta e amamentar e cuidar de sua bebê. À noite, quando os pais se recolhiam, ele saia de fininho para a floresta.
Depois de três dias, a mãe começou a desconfiar que algo estava errado. Então, quando a noite chegou, ela fingiu que tinha ido dormir, mas ficou escondida, vigiando o menino. Quando ele se levantou e correu para a floresta, ela o seguiu. Não acreditou no que viu: seu filho estava amamentando um bebê! A mãe logo entendeu tudo e resolveu voltar para casa, antes que o menino percebesse.
No dia seguinte, quando ele saiu com o pai para cuidar do gado, a mãe correu para a floresta e pegou a bebê. Trouxe-a para casa, banhou-a, alimentou-a e brincou com ela. Enquanto isso, mais uma vez o menino inventou uma desculpa para o pai e correu para a floresta para amamentar e cuidar da garotinha. Quando chegou lá, ficou desesperado. A menina não estava no ninho.
Ele a procurou por toda a floresta. Rezou e implorou aos deuses e aos antepassados para que eles o ajudassem. Chorou e chorou. Parecia que haviam arrancado uma parte de seu coração, roubado o seu espírito:
─ Cadê minha filhinha? Cadê?
Já mais nada importava na vida dele, a não ser encontrar a bebê. “ Será que algum animal a comeu? Não podia ter deixado minha filha sozinha... “
E, assim a noite chegou. E, assim a noite foi embora e o sol anunciou um novo dia. Ele ainda estava confuso, procurando a bebê na mata, não sabia o que fazer, não sentia fome nem sede.
No dia seguinte, depois de tanto procurar, arrastando as pernas, ele foi para casa, disposto a contar tudo a seus pais. Quando chegou, sua mãe segurava a bebê no colo.
─ Mamãe, você teve uma bebê? ─ perguntou o menino, quase chorando. ─ Posso segurar? Ela é tão linda!
A mãe ficou em silêncio por um tempo.
─ Sim, meu filho, agora ela é sua irmã. Filha de sua mãe, não mais sua ─ e olhou carinhosamente para o filho. ─ Esta minha filha chegou para mim por meio de sua barriga. Assim como outras filhas e filhos chegam para suas mães por meio da barriga de outras mulheres.
O menino concordou e começou a chorar.
─ Desculpe, mãe. Desculpe, pai, por não ter contado a verdade. Sinto muita vergonha.
O pai, comovido com a dor do menino, disse:
─ Sim, meu filho. Sabemos que você lamenta o que ocorreu. Nunca mais minta para nós em nem tome algo que não lhe pertença.
A partir daquele dia, o menino passou a ter um prazer a mais quando ordenhava as vacas de sua família. Ele não podia mais amamentar sua menina, mas o leite das vacas que ele cuidava alimentava sua irmã. E ela se tornava mais linda e esperta a cada dia, alegrando a todos.
O menino cresceu e se tornou um homem muito sábio e especial, que compreendia a importância e a beleza de cuidar da vida e de alimentá-la.

A Lenda do Tambor Africano
    Corre entre os Bijagós, da Guiné, a lenda de que foi o Macaquinho de nariz branco quem fez a primeira viagem à Lua. A história começou assim:
    Nas proximidades de uma aldeia, os macaquinhos de nariz branco, certo dia, de que se haviam de lembrar? De fazer uma viagem à Lua e trazê-la para baixo, para a Terra.
    Ora numa bela manhã, depois de terem em vão tentado encontrar um caminho por onde subir, um deles, por sinal o mais pequeno, teve uma ideia: encavalitarem-se uns nos outros. Um agora, outro depois, a fila foi-se erguendo ao céu e um deles acabou por tocar na Lua.Embaixo, porém, os macacos começaram a cansar-se e a impacientar- se. O companheiro que tocou na Lua nunca mais conseguia entrar. As forças faltaram-lhes, ouviu-se um grito, e a coluna desmoronou-se.Um a um, todos foram arrastados na queda e caíram no chão. Apenas um só, só um macaquito, por sinal o mais pequeno, ficou agarrado à Lua, que o segurou pela mão e o ajudou a subir.
    A Lua olhou-o com espanto e tão engraçadinho o achou que lhe deu de presente um tamborinho.O Macaquinho começou a aprender a tocar no seu tamborinho e por longos dias deixou-se ficar por ali. Mas tanto andou, tanto passeou, tanto no tamborinho tocou, que os dias se passaram uns atrás dos outros e o macaquinho de nariz branco começou a sentir profundas saudades da Terra e das suas gentes. Então, foi pedir à Lua que o deixasse voltar.
— Para que queres voltar?— Tenho saudades da minha terra, das palmeiras, das mangueiras, das acácias, dos coqueiros, das bananeiras.
A Lua mandou-o sentar no tamborinho, amarrou-o com uma corda e disse-lhe:
— Macaquinho de nariz branco, vou-te fazer descer, mas toma tento no que te digo. Não toques o tamborinho antes de chegares lá abaixo. E quando puseres os pés na Terra, tocarás então com força para eu ouvir e cortar a corda. E assim ficarás liberto.
        O Macaquinho, muito feliz da vida, foi descendo sentado no tambor. Mas a meio da viagem, oh!, não resistiu à tentação. E vai de leve, levezinho, de modo que a Lua não pudesse ouvir, pôs-se a tocar o tambor tamborinho. Porém, o vento soltando brandos rumores fazia estremecer levemente a corda. Ouviu a Lua os sons compassados do tantã(1) e pensou:
    'O Macaquinho chegou à Terra'. E logo mandou cortar a corda.E eis o macaquinho atirado ao espaço, caindo desamparado na ilha natal. Ia pelo caminho diante uma rapariga cantando e meneando- -se ao ritmo de uma canção. De repente viu, com espanto, o infeliz estendido no chão. Mas tinha os olhos muito abertos, despertos, duas brasas produzindo luz. O tamborinho estava junto dele. E ainda pôde dizer à rapariga que aquilo era um tambor e o entregava aos homens do seu país.
    A moça, ainda não refeita da surpresa, correu o mais velozmente que pôde a contar aos homens da sua raça o que acabava de acontecer.Veio gente e mais gente. Espalhavam-se archotes. Ouviam-se canções. E naquele recanto da terra africana fazia-se o primeiro batuque(2) ao som do maravilhoso tambor.Então os homens construíram muitos tambores e, dentro em pouco, não havia terra africana onde não houvesse esse querido instrumento.Com ele transmitiam notícias a longas distâncias e com ele festejavam os grandes dias da sua vida e a sua raça.
O tambor tamborinho ficou tão querido e tão estremecido do povo africano que, em dias de tristeza ou em dias de alegria, é ele quem melhor exprime a grandeza da sua alma."

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Interpretação de poemas - 6º ano


Leia silenciosamente os poemas:
Poema 1

A namorada
Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
e pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da
goiabeira
e então era agonia.
No tempo do onça era assim.
Manuel de Barros.

Poema 2

Vênus
Madrugadinha:
Vênus machuca
O coração da gente
De solidão azul.
Roseana Murray

Poema 3

Mapa
Tinha tanto remendo
a calça do Raimundo,
que ele estudava nela
a geografia do mundo.
Mariah Dinorah
Poema 4

Lagoa
Eu não vi o mar.
Não sei se o mar é bonito,
não sei se ele é bravo.
O mar não me importa.

Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande
e calma também.

Na chuva de cores
da tarde que explode
a lagoa brilha,
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.
Eu vi a lagoa...
Carlos Drummond de Andrade
Poema 5

Quem tem o quê
Sapato tem pé,
Passarinho tem árvore,
Fogueira, carvão.

Ovo tem ninho,
Bicicleta tem brisa,
Morcego, escuridão.

Histórias têm livros,
Tesouros têm piratas,
Vacas, bois.

Lágrima tem saudade,
País tem mapa,
Antes, depois.
Laurabeatriz e Lalau

Poema 6

Hai-kai de outono
Uma folha, ai
melancolicamente
cai!
      Mário Quintana
Poema 7

Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa

1. Após a leitura, pegue lápis de diferentes cores e pinte as rimas que vocês encontraram em cada poema.
2. Agora que você conhece um pouco mais sobre rimas, responda às seguintes questões:
a) Quais poemas apresentam versos brancos, isto é, versos que não rimam?
b) Quais poemas apresentam rimas externas (que aparecem no final dos versos)?
3. O poema 6 intitula-se “Hai-kai de outono”. Você já ouviu falar em haicai?
Leia o boxe abaixo para conhecer esse tipo de poema.
Haicai
É um tipo de poema de origem japonesa. Os poetas brasileiros que produzem haicais procuram respeitar algumas regras que lhes são próprias: poemas delicados de apenas três versos que procuram traduzir, em poucas palavras, um inesperado encanto na simplicidade da natureza.

4.Procure livros de haicai. Caso não encontre, pesquise na internet. Faça uma lista das características que a maioria desses poemas apresenta e registre em seu caderno.
a) Têm rimas?
b) São formados por quantas estrofes?
c) São formados por quantos versos?
d) Quais são os temas abordados?
5. Com base em sua pesquisa, responda:
a) Observando o poema “Hai-kai de outono”, você acha que o poeta Mário Quintana seguiu a forma de um haicai?
b) Quais são as palavras que rimam nesse poema?
c) Qual a brincadeira sonora feita pelo poeta com essas rimas?
6. Quadras são poemas de uma estrofe com quatro versos. A rima é um elemento comum nesses textos, mas há quadras com versos brancos, isto é, que não rimam.
a) Nos poemas anteriores, identifique quais são quadras.
b) O que você pode perceber em relação às palavras que rimam? Em que lugar dos versos elas estão localizadas? Há alguma regularidade no uso das rimas nos versos?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Interpretação de conto africano com gabarito


UNU NILE – Todos Vocês   (Conto africano)

Depois de formar a Terra, o Criador, todos os meses, realizava uma festa no céu para as aves, pois a mãe-terra ainda era jovem e não havia árvores frutíferas suficientes para alimentar a todas. Ele também aproveitava a ocasião para agradecer as aves pelos seus lindos cantos, dia e noite. Nesses tempos, a tartaruga vivia se queixando, pois fora criada com muito peso nas costas, suas pernas eram tão curtas que quase não conseguia se locomover e, ainda por cima, precisava andar muito atrás de comida. Todos os dias, queixava-se:
— Se eu tivesse asas, tudo seria diferente... A minha vida seria mais fácil.
Enquanto as aves, do alto das árvores, comiam frutas, a tartaruga, embaixo, lamentava a sua sorte, pois tinha que se contentar com os restos que caíam dos bicos delas.
De tanto ouvirem as lamentações da tartaruga, as aves fizeram uma reunião e decidiram ajudá-la. Cada uma doou uma de suas penas para confeccionar o melhor par de asas para o pobre réptil e ensiná-lo a voar.
A partir daquele dia, a vida da tartaruga mudou. Passou a fazer tudo que sempre havia desejado: voava de árvore em árvore, comendo as melhores frutas. Ela zombava dos animais que não tinham asas, pois não se considerava mais um réptil, mas uma ave. Deixou-se dominar pelo orgulho.
Na véspera da viagem para o céu, as aves convidaram a tartaruga para a festa do Criador, reservada só para os animais que voavam.
Egoísta e ingrata, a tartaruga ficou matutando um modo de comer o melhor da festa.
Antes da viagem, ela disse às aves que o céu era um lugar especial e, portanto, deveriam entrar lá de um modo especial. Propôs que cada uma escolhesse um novo nome. As aves aceitaram e todas escolheram um novo nome, cada um mais bonito do que o outro. A tartaruga ficou por último e disse que seu novo nome era Todos Vocês. As aves acharam aquele nome muito estranho, mas ninguém se importou.
Durante a viagem, a tartaruga fez questão que cada uma repetisse seu novo nome muitas vezes para que não se esquecessem. Chegando ao céu, todas assinaram o livro de presença com seu nome novo. Sentaram-se à mesa, o Criador agradeceu a todas pelos seus belos cantos e mostrou-lhes as iguarias preparadas para elas. Terminado o discurso, a tartaruga levantou e perguntou ao Criador para quem ele fizera todas aquelas delícias. Ele respondeu:
— Para todos vocês!
Nesse momento, a tartaruga lembrou as aves do seu novo nome: Todos Vocês; portanto, a mesa posta era só para ela. Que esperassem a vez delas.
Ela comeu e bebeu, enquanto as aves só olhavam. Elas ficaram muito decepcionadas com a atitude da tartaruga.
Quando chegou a hora de voltarem à Terra, cada uma delas tratou de pegar sua pena de volta e, num instante, a tartaruga ficou sem asas.
Ao entrarem para limpar o salão, os empregados encontraram a tartaruga escondida e lançaram-na para a Terra; a queda foi tão forte que o seu casco duro e brilhante quebrou-se em pedaços.
A formiga e seus filhotes acharam o casco da tartaruga todo quebrado e pensaram que o pobre animal estivesse morto. Então juntaram e emendaram o casco para construir um formigueiro.
Passados alguns dias, a tartaruga se sentiu melhor, levantou-se e saiu andando.
E foi assim que a tartaruga ganhou o casco emendado que tem até hoje.
SUNNY. Ulomma. A casa da beleza e outros contos. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 23-28.
1. Compreendendo o conto
a) Como era a vida da tartaruga no início do conto? O que mudou?
Vivia cansada e tinha muito trabalho para conseguir comida. Sua vida muda ao receber um par de asas.
b) Que estratégia a tartaruga adota para que ocorra uma mudança em sua vida?
Reclama todo o tempo da dificuldade que é sua vida. Faz-se de vítima do mundo.
c) Qual foi a “jogada” da tartaruga para, chegando à festa, ter direito a desfrutar do banquete primeiro?
Escolheu para si um nome que, provavelmente, seria a resposta que receberia para a pergunta que faria.
d) Qual o sentimento das aves em relação à tartaruga?
Decepção.
e) No trecho “Egoísta e ingrata, a tartaruga ficou matutando um modo de comer o melhor da festa”, que palavras indicam a opinião do narrador sobre a tartaruga?
Egoísta e ingrata.
f) E você, o que pensa da atitude da tartaruga?
Resposta Pessoal.
g) Considerando a atitude da tartaruga, que outras palavras a descreveriam?
Resposta pessoal
h) Releia o início do conto “Todos Vocês” e observe os verbos destacados nos primeiros parágrafo.
i) Você diria que essas ações aconteceram uma vez ou aconteciam sempre (por exemplo, aconteceu de as aves comerem fruta e de a tartaruga lamentar sua sorte só uma vez ou elas faziam isso sempre)?
Aconteciam sempre.
j) Agora destaque os verbos destacados no quarto parágrafo. Essas ações aconteciam sempre ou aconteceram só uma vez?
 Aconteceram só uma vez.
k) Qual dos dois tempos verbais descreve a situação inicial do conto, caracterizando o cenário e as personagens e dizendo como era a vida deles? Os destacados nos primeiros parágrafos  (pretérito imperfeito).
l) Qual dos dois tempos verbais indica uma ação pontual que situa o início da ação principal da história (seu problema)?
Os destacados no quarto parágrafo (pretérito perfeito).