Peço desculpas por não enviar o gabarito das atividades postadas anteriormente, mas tentarei disponibilizar sugestões de respostas para as próximas postagens. Este está sendo um ano de muito trabalho e pouco tempo. Conto com a compreensão de todos. 28/11/16.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Literatura - 6º ano: Conhecendo Ruth Rocha


Sequência Didática de Literatura - 6º ano: Conhecendo Ruth Rocha

Objetivos
·         Estimular o gosto pela leitura;
·         Desenvolver a competência leitora;
·         Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
·         Conhecer a estrutura e o modo de organização do texto biográfico;
·         Conhecer / exercitar alguns elementos básicos da narrativa;
·         Conhecer/exercitar elementos básicos do texto poético;
·         Discutir relações de diferença / discriminação.

Conteúdos
·         Elementos da narrativa: narrador, enredo, personagens, tempo, espaço e tipos de discurso;
·         Elementos do texto poético: rima, verso e estrofe;
·         Conceito de biografia ;
·         Conceitos de real e imaginário;
·         Conceitos de Diferença, Tolerância, Preconceito e Discriminação.

Tempo estimado
·         Cinco a sete aulas

Ano
·         6º ano

Material necessário
·         Cópias da biografia de Ruth rocha para cada aluno;
·         Cópias do texto  A primavera da lagarta;
·         Cópias do texto Bom dia todas as cores;
·         Cópias de poemas extraídos do livro Toda criança do mundo mora em meu coração;
·         Texto O que os olhos não vêem;
·         CD Mil pássaros, com narração de Ruth Rocha e canções do grupo Palavra Cantada.

Desenvolvimento
1ª aula
·         Sondagem sobre o conhecimento prévio dos alunos sobre Ruth Rocha e leitura da biografia da autora;
·         Atividades sobre o texto biográfico;
·         Construção do conceito de biografia.

2ª aula
·         Distribuir cópias do texto A primavera da lagarta e pedir que os alunos façam a leitura;
·         Colocar o CD Mil pássaros para que os alunos ouçam a narração da história feita por Ruth Rocha;
·         Relacionar a história a situações reais em que pessoas sofrem constrangimento enquanto alvo de zombarias e calúnias.
·         Distribuir atividades de interpretação do texto.

3ª aula
·         Texto Bom dia todas as cores;
·         Ouvir com os alunos a narração do texto feita por Ruth Rocha no CD Mil pássaros;
·         Discutir com os alunos a questão das diferenças, o respeito pelo outro, a questão sobre as diversidades das etnias que temos no Brasil;
·         Identificar elementos da narrativa (espaço, tempo, personagens, narrador, enredo);
·         Interpretação do texto;

4ª aula
·         Leitura e interpretação do texto O que os olhos não vêem;
·         Identificação dos recursos poéticos utilizados no texto (verso, estrofe, rima);

Avaliação
·         A avaliação acontecerá a cada aula observando o desempenho dos alunos durante as atividades propostas.
·         Realização de atividade avaliativa envolvendo os conteúdos estudados.
·         Apresentação de trabalhos (recital, cartazes) para turmas do 6º e do7ª ano .

O que os olhos não vêem - Ruth Rocha - com interpretação


O que os olhos não vêem

Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.

Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...

Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.

E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.

E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.

Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...

Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não vêem,
nosso coração não sente.

E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.

Cada pessoa do povo
foi chegando á convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!

Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.

E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não vêem
nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
- Vamos olhar na muralha.
- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!

E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geléia,
daquela grande assembléia,
como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.

O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.

E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.

Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não vêem
nosso coração não sente


1)      O texto que você leu foi escrito em verso. Sabendo que cada linha do poema é um verso e que cada conjunto de versos forma uma estrofe, responda:
a)      Quantas estrofes têm o poema?
b)      Todas as estrofes têm o mesmo número de versos?
2)      Um recurso sonoro muito utilizado em poemas é a rima. Rimas são repetições dos mesmos sons ao final das palavras. Releia as duas primeiras estrofes e escreva no caderno as rimas que encontrar.
3)      O texto afirma que o rei ficou doente. Qual era a doença dele?
4)      Comparando a história com a realidade, quem você acha que representa as pessoas grandes e fortes? E as pequeninas?
5)      O que acontecia com as pessoas que viviam junto ao rei?
6)      O que o povo fez para resolver o problema da cegueira do rei?
7)      As atitudes do rei e das pessoas próximas a ele são resumidas no provérbio “o que os olhos não vêem, nosso coração não sente”. Você conhece outro provérbio que possa resumir as atitudes do povo? Qual?
8)      O eu lírico (a voz que fala no poema) sugere que cada um vá inventando o que aconteceu depois que o problema foi resolvido. Invente o seu final para a história.

Bom Dia, Todas as Cores! - Ruth Rocha - Com interpretação


Bom Dia, Todas as Cores! - Ruth Rocha

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.
- Bom dia, sol, bom dia, flores,
bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho, mudou sua cor
Para a cor-de-rosa, que ele achava
A mais bonita de todas, e saiu para
O sol, contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz
Porque tinha chegado a primavera.
E o sol, finalmente, depois de
Um inverno longo e frio, brilhava,
Alegre, no céu.
- Eu hoje estou de bem com a vida
- Ele disse. - quero ser bonzinho
Pra todo mundo...

Logo que saiu de casa,
O Camaleão encontrou
O professor pernilongo.
O professor pernilongo toca
Violino na orquestra
Do Teatro Florestal.
- Bom dia, professor!
Como vai o senhor?
- Bom dia, Camaleão!
Mas o que é isso, meu irmão?
Por que é que mudou de cor?
Essa cor não lhe cai bem...
Olhe para o azul do céu.
Por que não fica azul também?

O Camaleão,
Amável como ele era,
Resolveu ficar azul
Como o céu da primavera...

Até que numa clareira
O Camaleão encontrou
O sabiá-laranjeira:
- Meu amigo Camaleão,
Muito bom dia e você!
Mas que cor é essa agora?
O amigo está azul por quê?

E o sabiá explicou
Que a cor mais linda do mundo
Era a cor alaranjada,
Cor de laranja, dourada.

Nosso amigo, bem depressa,
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo alaranjado,
Louro, laranja, dourado.
E cantando, alegremente,
Lá se foi, ainda contente...

Na pracinha da floresta,
Saindo da capelinha,
Vinha o senhor louva-a-deus,
Mais a família inteirinha.
Ele é um senhor muito sério,
Que não gosta de gracinha.
- bom dia, Camaleão!
Que cor mais escandalosa!
Parece até fantasia
Pra baile de carnaval...

Você devia arranjar
Uma cor mais natural...
Veja o verde da folhagem...
Veja o verde da campina...
Você devia fazer
O que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo bem verdinho.
E foi pelo seu caminho...

Vocês agora já sabem como era o Camaleão.
Bastava que alguém falasse, mudava de opinião.
Ficava roxo, amarelo, ficava cor-de-pavão.
Ficava de toda cor. Não sabia dizer NÃO.

Por isso, naquele dia, cada vez que
Se encontrava com algum de seus amigos,
E que o amigo estranhava a cor com que ele estava...
Adivinha o que fazia o nosso Camaleão.
Pois ele logo mudava, mudava para outro tom...

Mudou de rosa para azul.
De azul para alaranjado.
De laranja para verde.
De verde para encarnado.
Mudou de preto para branco.
De branco virou roxinho.
De roxo para amarelo.
E até para cor de vinho...

Quando o sol começou a se pôr no horizonte,
Camaleão resolveu voltar para casa.
Estava cansado do longo passeio
E mais cansado ainda de tanto
mudar de cor.
Entrou na sua casinha.
Deitou para descansar.
E lá ficou a pensar:
- Por mais que a gente se esforce,
Não pode agradar a todos.
Alguns gostam de farofa.
Outros preferem farelo...
Uns querem comer maçã.
Outros preferem marmelo...
Tem quem goste de sapato.
Tem quem goste de chinelo...
E se não fossem os gostos,
Que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se
Bem cedinho.
- Bom dia, sol, bom dia, flores,
Bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho,
Mudou sua cor para
A cor-de-rosa, que ele
Achava a mais bonita
De todas, e saiu para
O sol, contente
Da vida.

Logo que saiu, Camaleão encontrou o sapo cururu,
Que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.
- Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?
- Muito bom dia, amigo Camaleão!
Mais que cor mais engraçada,
Antiga, tão desbotada...
Por que é que você não usa
Uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:
- Eu uso as cores que eu gosto,
E com isso faço bem.
Eu gosto dos bons conselhos,
Mas faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo,
Não pode agradar ninguém...
E assim aconteceu
O que acabei de contar.
Se gostaram, muito bem!
Se não gostaram, AZAR!
 

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1-  Escreva o nome de alguns personagens do texto.
2- Quem é o personagem principal do texto? Quais suas características?
3- Qual era a cor preferida do Camaleão?
4- O Camaleão mudou várias vezes de cor. Escreva uma dessas mudanças e porque ela a fez.
5- O Camaleão acordava de bom humor e cumprimentava as coisas ao seu redor. Como era esse cumprimento?
·         E você? Costuma cumprimentar as pessoas? Como?
6- Depois de fazer os gostos de todos, o Camaleão mudou de idéia. Mudou para a cor que mais gostava e disse ao sapo:
Eu uso as cores que eu gosto,
E com isso faço bem.
Eu gosto dos bons conselhos,
Mas faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo,
Não pode agradar ninguém...
O que você achou das palavras do Camaleão? Concorda ou não com ele?
7- Agora vamos falar de você. Você costuma mudar de idéia ou fazer alguma coisa só porque os outros querem ou tem suas própria idéias? Escreva.
8- Qual mensagem o texto passou a você?
9- Identifique os elementos da narrativa seguindo as pistas abaixo:
a)      Espaço: Onde acontece a história ou o fato narrado? Que pistas se tem para poder identificar o espaço?
b)      Tempo: Quando acontece a história do Camaleão?
c)       Personagem: Quem participou da história? Quem o Camaleão encontrou?
d)      Narrador: Quem contou a história? Foi o camaleão?
e)      Enredo: O que foi contado? Sobre o que se falou?